{"id":11963,"date":"2023-04-07T12:53:04","date_gmt":"2023-04-07T15:53:04","guid":{"rendered":"https:\/\/movimentocjc.org.br\/?p=11963"},"modified":"2023-04-07T12:53:06","modified_gmt":"2023-04-07T15:53:06","slug":"cruz-misterio-de-amor","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/movimentocjc.org.br\/blog\/cruz-misterio-de-amor\/","title":{"rendered":"Cruz, mist\u00e9rio de amor"},"content":{"rendered":"

Celebrar na Sexta-feira Santa o mist\u00e9rio da Cruz<\/em> \u00e9 celebrar, antes de mais, o extraordin\u00e1rio amor com que Cristo, tendo-nos amado desde o princ\u00edpio, nos amou at\u00e9 ao extremo (cf. Jo<\/em> 13, 2). Para refletirmos um pouco a respeito dessa admir\u00e1vel verdade que a Igreja nos oferece hoje \u00e0 considera\u00e7\u00e3o, dirijamos o olhar para aquele Sacrat\u00edssimo Cora\u00e7\u00e3o que, pendente da Cruz por nossa causa, pulsa ainda agora por cada um de n\u00f3s. Cientes, por\u00e9m, de que todo esfor\u00e7o \u00e9 pouco para chegarmos a compreender a grandeza desse divino amor (cf. Catecismo Romano<\/em>, 4.\u00ba Art., \u00a7 4, n. 5), roguemos ao mesmo Senhor Crucificado que se digne, segundo o seu benepl\u00e1cito, dar-nos entendimento e humildade para penetrarmos, o quanto nos for poss\u00edvel, neste augusto mist\u00e9rio, que de todos \u00e9 talvez o mais dif\u00edcil e desafiador \u00e0 intelig\u00eancia humana. De fato, uma vez que o mundo, com a sua sabedoria, n\u00e3o conheceu a Deus em sua divina sabedoria, aprouve a Deus salvar os crentes pela loucura da prega\u00e7\u00e3o<\/em> do Filho docilmente entregue \u00e0s m\u00e3os dos homens (cf. 1Cor<\/em> 1, 21).<\/p>\n\n\n\n

Ao meditarmos pois a Paix\u00e3o do Senhor, o que desde logo faz nosso peito palpitar de compungida gratid\u00e3o \u00e9 o fato de Ele, durante todo o seu supl\u00edcio, ter-nos amado com um amor singular<\/em>, dirigido a cada um de n\u00f3s como se f\u00f4ramos os \u00fanicos por Ele amados. Amou-me a mim<\/em>, como se eu, que sou um nada<\/em>, fosse tudo<\/em> para Ele; amou-te tamb\u00e9m a ti com essa mesma predile\u00e7\u00e3o, com essa mesma integridade, como se tu foras para Ele a \u00fanica alma no mundo. N\u00e3o amou de forma gen\u00e9rica uma coletividade abstrata, desencarnada, impalp\u00e1vel. N\u00e3o! Amou-me individualmente<\/em> a mim, a ti, a todos os homens, quer fossem j\u00e1 mortos ou ainda vivos, quer estivessem por nascer um ou dois mil anos mais tarde. A maravilha desse amor imenso, com efeito, \u00e9 de admirar ainda mais se considerarmos atentamente que Jesus \u2014 o pr\u00f3prio Deus feito homem para mostrar-nos na carne as consequ\u00eancias da nossa mis\u00e9ria \u2014 amou-nos de tal modo n\u00e3o apenas em suas dores e sofrimentos, mas desde a sua concep\u00e7\u00e3o no seio da M\u00e3e Sant\u00edssima, visto que ali, nos primeiros instantes da sua Encarna\u00e7\u00e3o, j\u00e1 gozava daquela beat\u00edssima vis\u00e3o com que os santos, contemplando a Deus face a face na p\u00e1tria celeste (cf. 1Cor<\/em> 13, 12), conhecem e amam tudo quanto veem intuitivamente na Divindade.<\/p>\n\n\n\n

S\u00e3o, ali\u00e1s, as pr\u00f3prias Escrituras a primeira fonte dessa doutrina, afirmada com a quase unanimidade dos te\u00f3logos e avalizada pelo Magist\u00e9rio da Igreja. Em mais de um lugar se afirma, sem margem de d\u00favida, que a ci\u00eancia de Cristo Jesus n\u00e3o prov\u00e9m nem da f\u00e9, nem de qualquer revela\u00e7\u00e3o que se lhe tenha feito, sen\u00e3o de um conhecimento direto que Ele tem de seu Pai: “Em verdade, em verdade, te digo: falamos do que sabemos<\/em> e damos testemunho do que vimos<\/em>” (Jo<\/em> 3, 11). Ora, “s\u00f3 Aquele que vem de junto de Deus viu<\/em> o Pai” (Jo<\/em> 6, 46), s\u00f3 Ele o conhece<\/em> (cf. Jo<\/em> 8, 55), s\u00f3 Ele, que vem do C\u00e9u, d\u00e1 testemunho do que viu<\/em> e ouviu<\/em> do Pai (cf. Jo<\/em> 3, 32). As palavras dos Evangelistas n\u00e3o s\u00e3o menos claras. Prestai ouvidos a S\u00e3o Jo\u00e3o: “Ningu\u00e9m jamais viu a Deus; o Filho \u00fanico, que est\u00e1 voltado para o seio do Pai, este o deu a conhecer” (Jo<\/em> 1, 18). Ouvi agora o que relata S\u00e3o Mateus: “ningu\u00e9m conhece<\/em> o Filho sen\u00e3o o Pai, e ningu\u00e9m conhece<\/em> o Pai sen\u00e3o o filho e aquele a quem o Filho o quiser revelar” (Mt<\/em> 11, 27).<\/p>\n\n\n\n

Com este “amoros\u00edssimo conhecimento”, o qual “excede tudo quanto a raz\u00e3o humana pode alcan\u00e7ar”, Jesus me amou a mim e a ti “no pres\u00e9pio, na Cruz, na gl\u00f3ria sempiterna do Pai” (Pio XII, Mystici Coporis<\/em><\/a>, n. 75). Querendo-nos com um desejo ardent\u00edssimo, Ele viu, “v\u00ea e abra\u00e7a todos os membros da Igreja muito mais claramente, com muito maior amor do que a m\u00e3e ao filho que tem no rega\u00e7o, do que cada um de n\u00f3s se conhece e se ama a si mesmo (Id., ibid.). Ele pensa em cada um de n\u00f3s com mais afeto e ternura, com mais const\u00e2ncia e profundidade, do que o enamorado pensa em sua amada. Tendo-nos, assim, continuamente presentes, Ele nos p\u00f5e a cada um de n\u00f3s, membros do seu Corpo M\u00edstico, sob os bra\u00e7os salv\u00edficos de sua Cruz, qual uma galinha que ajunta debaixo das asas os seus queridos pintainhos (cf. Mt<\/em> 23, 37). Santa Teresinha do Menino Jesus, penetrando essa verdade com a delicadeza que lhe \u00e9 pr\u00f3pria, expressou-a nestes versos: “Co’a pequenina m\u00e3o acariciando a M\u00e3e, sustentavas o mundo e a vida lhe mantinhas… E pensavas em mim<\/em>, Jesus, pequeno Rei, recorda-Te!” (St.\u00aa Teresinha, J\u00e9sus mon Bien-Aim\u00e9, rappelle-toi!..<\/em>.). E pensavas em mim!<\/em><\/p>\n\n\n\n

Pensaste em mim o tempo todo, meu Senhor! Foste perseguido e a\u00e7oitado, humilhado e desprezado, crucificado e aniquilado, porque desde sempre me amaste, e por amor a mim te entregaste (cf.\u00a0Gl<\/em>\u00a02, 20)! Agonizaste no Horto por causa dos meus delitos, de minhas infidelidades, de minhas ca\u00eddas; mas a minha convers\u00e3o, o meu desejo de amar-te de volta, foi com isto que o Anjo do Pai te consolou\u2026 “\u00d3 admir\u00e1vel digna\u00e7\u00e3o da divina bondade para conosco! \u00d3 inconceb\u00edvel ordem da imensa caridade!” (Pio XII, ibid.) Ajuda-me, meu bom Jesus, ajuda-me a consolar-te hoje com as l\u00e1grimas do meu arrependimento, com as penit\u00eancias e repara\u00e7\u00f5es do meu pobre amor, com a minha vontade sincera de seguir-te e ser-te obediente. Que eu hoje me una \u00e0s tua dores, meu Senhor t\u00e3o amoroso, e te console, como Santa Ver\u00f4nica, com o gesto simples de quem quer amar de volta o teu t\u00e3o infinito amor. Imprime, Senhor, a tua sagrada face no meu pequeno cora\u00e7\u00e3o!<\/p>\n\n\n\n

De Christo Nihil Praeponere.
Equipe de Reda\u00e7\u00e3o | Movimento CJC<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"

Amou-me a mim, como se eu, que sou um nada, fosse tudo para Ele; amou-te tamb\u00e9m a ti com essa mesma predile\u00e7\u00e3o, com essa mesma integridade, como se tu foras para Ele a \u00fanica alma no mundo<\/p>","protected":false},"author":14,"featured_media":11965,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1,91,146],"tags":[82,147,758],"class_list":["post-11963","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-blog","category-igreja","category-semana-santa","tag-igreja","tag-semana-santa","tag-sexta-feira-santa"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/movimentocjc.org.br\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11963","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/movimentocjc.org.br\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/movimentocjc.org.br\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/movimentocjc.org.br\/wp-json\/wp\/v2\/users\/14"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/movimentocjc.org.br\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=11963"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/movimentocjc.org.br\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11963\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/movimentocjc.org.br\/wp-json\/wp\/v2\/media\/11965"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/movimentocjc.org.br\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=11963"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/movimentocjc.org.br\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=11963"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/movimentocjc.org.br\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=11963"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}